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4 de outubro de 2011

Enchendo o vazio


Hoje não comi. Acordei como quem quer se alimentar de música, fotos e palavras. Acordei como quem quer encontrar prazer em coisas mínimas. Como quem quer rir de si mesmo.
Abri os olhos sentindo a brisa que me tocava brava, me despertando para o sol do dia. Sentindo o gosto do café amargo, pensei nas oportunidades que tenho a cada manhã: os diversos lugares que posso ir, as inúmeras pessoas que tenho para conhecer.
Imaginei por um instante a multidão de gente andando apressada, correndo contra o tempo, chegando no trabalho, na escola. Não consegui imaginar as trocas de olhares, de cumprimentos, de reconhecimento. E num instante lembrei que o mundo é grande, e as pessoas, pequenas. Cada um, uma gota, que pinga aleatoriamente. Mas que se soubessem a enorme onda que poderiam formar se juntando, banhariam esse vazio.
Novamente a brisa me despertou, me lembrando que no meio desse deserto eu não estava só. No mesmo instante, senti meu coração pulsar, bombeando sangue para cada pedacinho do meu corpo, e me enchendo de vida...
Levantei e me encarei frente ao espelho. E então me vi: um, de raros oásis.

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